No início de 1989, após uma temporada de trabalho nos E.U.A., o Sr. Lindolfo Collor, cliente e amigo da Fazenda da Paciência de Três Rios-RJ, em uma de suas visitas, trouxe e presenteou o Dr. Nélson Borges (Nelsinho), então veterinário daquele Haras, com uma fêmea, ainda filhote, da raça Jack Russell Terrier.

Minie, como passou a ser chamada, logo se tornou o centro das atenções de todos na Fazenda pelo seu comportamento "sapeca" e pelo espaço que conquistava entre os Pitt Bulls e Bull Terriers que ali também se encontravam há mais tempo.

Pouco tempo depois, no início de 1990, também dos E.U.A. retornou outro amigo, Rodolfo, que veio para trabalhar no vizinho Haras Paradise e trouxe consigo o macho Jack Russell Ted.

Do cruzamento entre Ted e Minie, no primeiro semestre de 1990, nasce a primeira e única ninhada deste cruzamento, já que, logo em seguida, Rodolfo retorna para os E.U.A. levando consigo o Ted.

Minie, por sua vez, pouco tempo depois sofreu um atropelamento fatal.
Na única ninhada deste precioso cruzamento se destacava dentre os filhotes um macho exuberante, que chamava atenção por sua pelagem, porte e atitude. Não havia dúvidas: Aquele certamente deveria ser o escolhido para levar adiante uma história de grandes surpresas, alegrias, descobertas e experiências inesquecíveis.

De forma surpreendente aquele filhote crescia e conquistava a todos que o conheciam. Rap, como ficou sendo chamado, ainda era pequeno no tamanho mas já demonstrava um enorme espírito de liderança, presença marcante e disposição inesgotável. Mesmo os cães antigos de raças poderosas como os Pitt Bulls e Bull Terriers eram intimidados pela índole inigualável daquele jovem Jack Russell. Rap deixava todos impressionados por sua esperteza e atitude de comando e liderança.

Segundo Edjalma Cláudio, companheiro e admirador de Rap por quase toda sua vida, cada novo dia era garantia de grandes surpresas ao lado de Rap: "Rap sempre foi um amigo inseparável, amante de um bom passeio de carro ou moto, companheiro inseparável do trabalho diário no haras. Estava sempre "na equipe" que trabalhava os potrinhos que eram puxados por moto (tinha lugar cativo no tanque da moto). Nas idas à cidade, Rap sempre pulava para dentro do carro e, quando ia montar a cavalo, lá estava ele acompanhando tudo, inseparável e atento a todos os acontecimentos".

Depois de 4 anos juntos na Fazenda Paciência, Edjalma se muda para o Haras TGS e Rap, após algum tempo, se muda para o Rio de Janeiro onde viveu durante 5 anos com seu proprietário, o Dr. Nélson Borges.

Ali, longe dos campos, dos pastos, dos animais e da natureza com a qual aprendeu a interagir, Rap esteve limitado em suas habilidades. Morando num apartamento Rap tinha todo o carinho e atenção de Nelsinho, apesar dos limites normais que o trabalho e a rotina diária nos impõem.

Rap podia extravazar sua energia nos passeios pela praia e algumas poucas visitas que seu dono fazia a fazendas e haras. Porém, era pouco para quem teve tanta liberdade e diversão em tempo integral.

Alguns fatos interessantes deste período da vida de Rap demonstram como ele foi capaz de se adaptar às novas condições de vida a que foi imposto. Quando Nelsinho se mudou para Ipanema, de frente ao prédio onde morava havia uma praça. Rap já estava tão familiarizado com o local e tal era sua auto-afirmação que, em pouco tempo, já fazia seus passeios sozinho. Rap era posto no elevador por algum conhecido, descia até a portaria e ficava todo o tempo nos arredores daquela praça.

Por onde andava e o que fazia são perguntas impossíveis de serem respondidas. O fato é que, após se dar por satisfeito, voltava à portaria e era colocado pelo porteiro do prédio (outro grande amigo e admirador) de volta ao elevador após interfonar para quem estivesse em casa.

Em março de 2000, data que Rap certamente jamais há de esquecer, Edjalma vai ao Rio visitar Nelsinho e ambos concordam que, para o bem do Rap e pela raça mais impressionante de cães, Rap deveria seguir viagem de volta com seu antigo companheiro Edjalma, com destino ao Haras TGS, seu lar e território de domínio particular deste então.

De fato não só nós do Haras TGS ganhamos um amigo de inestimável carisma mas toda a criação brasileira da raça Jack Russell Terrier foi premiada com a volta de seu mais querido representante à atividade reprodutiva.

Sempre que vem ao Haras TGS Nelsinho revê seu (digamos, nosso) inigualável, fiel e amigo Rap, desfrutando de dias de total liberdade, regados a muita agitação, muita aventura e grandes desafios, ou seja, tudo aquilo que torna o Jack Russell o cão mais ativo, mais cheio de vigor, mais destemido, determinado e disposto que possa existir.

Sabemos que Rap está feliz. Sua retribuição em forma de companheirismo e amizade inegociável nos dá a certeza de que seus dias têem sido de intensa satisfação.

Rap já passou dos 10 anos de vida e, a cada novo dia, parece ganhar mais saúde, alegria e disposição, enquanto mantém seu harém bem servido e cuidadosamente guardado.

O Haras TGS se orgulha de promover os melhores dias àquele que é o maior patrimônio da raça Jack Russel Terrier em nosso país:

Rap, o mais querido do Brasil !!!

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